Contra o Galante buzinar, buzinar!

Buzinão contra empreendimento do Galante marcado por incidente

O buzinão de protesto contra o empreendimento do Galante, na Figueira da Foz, realizado ontem por um movimento cívico que contesta a urbanização, ficou marcado por um pequeno incidente que acabou prontamente sanado pela rápida intervenção policial.

Tudo aconteceu quando nas intervenções, após uma concentração automóvel e o buzinão que juntou três dezenas de viaturas e cerca de meia centena de pessoas, o antigo vereador da Câmara do Porto, Paulo Morais, comparou a especulação urbanística ao tráfico de droga.

[in Jornal de Notícias
photos by Paulo Dâmaso]

“A especulação imobiliária em Portugal é um negócio só comparável ao tráfico de droga, que gera lucros de três/quatro mil por cento. Um género de traficantes que muito raramente são apanhados porque, no país, há sempre uma capa de legalidade”, disse o antigo autarca.

As palavras não foram bem aceites pelo proprietário da urbanização, António Cerejo Bastos, da construtora Fozbeach, que estava misturado no grupo de contestatários.

“Está calado, palhaço. Tu é que és um drogado e um palhaço”, gritou, irritado, Cerejo Bastos para Paulo Morais, antes de ser afastado do local por agentes da PSP. O construtor que admitiu ainda apresentar queixa por difamação contra ex-autarca da Câmara do Porto.

No centro da polémica está a venda de dois terrenos municipais, onde “cresce” um aparthotel de 16 andares e sete blocos de apartamentos, com 300 fogos, na área adjacente. O negócio está a ser investigado pela PJ e do qual já foram constituídos arguidos o presidente da edilidade figueirense Duarte Silva e o vereador Paulo Pereira Coelho.

Cerejo Bastos, que também já foi ouvido como testemunha na PJ no âmbito deste processo, diz “estar de consciência tranquila” quanto à “transparência” do negócio e acredita que o aparthotel, que criará 250 postos de trabalho, “estará concluído em Agosto do próximo ano”.

Pedro Trilho y Blanco, porta-voz do Movimento de Defesa do Desenvolvimento Sustentável do Vale do Galante, admitiu que irá pedir a perda de mandato do presidente da Câmara, “caso o autarca não suspenda as funções e as obras do empreendimento”. “Duarte Silva não é um arguido como os outros, é titular de um cargo público”, justificou.

O JN tentou, sem êxito, obter declarações de Duarte Silva sobre o assunto.

texto in Jornal de Notícias
photos by Paulo Dâmaso

Deixar uma Resposta